Marco Antônio de Morais Alcantara
A ilustração é provocativa, com a sua orientação invertida, e põe em questão sobre como o mundo poderia ser visto. Isto é o mundo geopolítico. O mundo geopolítico existe desde a história da humanidade, povos da Mesopotâmia já se associavam formando o primeiro consórcio para a irrigação. Por relações que formam a geopolítica se compreende interesses comuns, os quais variaram ao longo da história, como por exemplo envolvendo recursos naturais, energéticos, água e alimentos...
Dentro da história política da humanidade se pode considerar
aspectos ligados a origens de povos, heranças herdadas de rivalidade, de
crenças, e de costumes.
Ao longo da história se considerou hegemonias, tanto
regionais como em termos do mundo conhecido, que atuavam como players, tendo
essas hegemonias sofrido variações ao longo da história, impérios se
implantavam, e tinham ciclos de hegemonia, quando então ela era transferida à
outra nação.
Existem alinhamentos políticos entre diferentes nações, com
base em padrões comuns, e existem nações que exercem pouca influência no
contexto global, mas estão sujeitas ao que o jogo mundial preconiza. Existem
condições de vassalagem quando uma nação se submete aos interesses de outra
nação, e isso à troca de favores e benefícios, por exemplo, na busca de países
protetores, ou que prometem ter relações comerciais preferenciais.
Blocos costumam ser formados, e a lealdade de uma nação aos
interesses do bloco sempre foram relevantes, em especial em um ambiente
polarizado.
O mundo conheceu tanto políticas polarizadas, como hegemônicas,
ou multipolar. A seguir se apresentam algumas considerações sobre o jogo geopolítico mundial.
Modos de se jogar com a geopolítica
Várias são as formas de se jogar com a geopolítica,
dependendo das características agora apresentadas. Essas são apesentadas
seguir:
-Guerras, alianças e despojo: esta forma de atuação marcou a
história, principalmente na história antiga e recente. Da guerra surge o
espólio e a acumulação de riquezas de nação.
--Controle monetário: quando uma moeda é forte, dentro do contexto
global, esta pode ser tomada como moeda de referência, de modo a poder intervir
na configuração econômica de outras nações, em termos por exemplo de taxas de
juros e inflação. Os títulos da dívida pública passam a ser valorizados,
levando outras nações a comprar a moeda que pode protagonizar. Além disto
também existe o sistema mundial de transação financeira.
-Controle através de sanções e chantagens: as sanções podem ser implementadas a uma nação
mediante o descontentamento de uma nação ou bloco que esteja em desacordo com
aquela nação. Os sistemas de pagamentos mundiais podem ser utilizados para
isso, além de tarifas alfandegárias para com os produtos das nações que venham
a romper com a imposição do bloco ou da nação hegemônica. O objetivo da nação
hegemônica aqui é promover a asfixia da nação alvo de sanções e bloqueis.
-Guerras tarifáricas e blocos aduaneiros: países podem
competir pela guerra nas tarifas de importação, assim como eles podem fazer
alianças aduaneiras, formando blocos de livre comércio.
-Financeirização do capital: uma maneira sutil que marcou o
século passado foi o processo de financeirização do capital, marcado pela sua
expansão e migração para países de moedas mais fracas, com custos mais baixos e
aumento da lucratividade, criando-se o chamado neo-colonialismo. Este processo também
favoreceu para o crescimento tecnológico, urbanização e inovação nestes países
que receberam a industrialização, sobretudo pela exposição da tecnologia, enquanto
que países metrópoles sofreram do efeito da desindustrialização.
-Acordos tecnológicos: a criação de tecnologia conjunta, em
especial para a defesa tem ido nações, sobretudo para impedir que outros países
venham a tecnologia. Existem também casos onde países hegemônicos investem em
países mais fracos, no sentido de que estes venham a protagonizar na região onde
eles estejam inseridos, e trabalhar pelos seus interesses ou de conter os que
trabalham em um sentido oposto.
-Criação de rotas e infraestrutura para o comércio: as rotas
comerciais, os canais, as rodovias de integração, os portos em regiões
estratégicas, tudo contribui para o fortalecimento de um bloco de nações.
Algumas coisas de que as nações necessitam para sobreviver e conviver com outras nações
Todas as nações precisam de alguns itens concretos ou
abstratos. Podem ser citados:
-Território: uma nação necessita de território, onde são
desenvolvidas as diversas atividades produtivas, negociadas no mercado internacional.
-Soberania: toda nação necessita de soberania, defesa, tanto
de território como de autonomia política.
-Moeda: toda nação necessita de uma moeda para trocas, tanto
no mercado interno como no mercado externo.
-Redes de transportes bem estruturada: a rede de
infraestrutura de uma nação se torna importante, quando se considera aquilo de
que se necessita, como água, energia, transporte. Isto se relaciona com
abastecimento. Produção, exportação e competitividade.
-Rede de comunicações: as redes de comunicação nos dias
atuais se tornam importantes, sobretudo com relação à tecnologia da informação,
satélites, redes e cabos de transmissão.
-Tecnologia: a tecnologia sempre foi um diferencial para as
nações, no sentido de alcançar hegemonia mundial ou regional.
Algumas considerações importantes com respeito aos dias
atuais
-A mudança na polaridade: O mundo conheceu no último século
um ambiente bipolar, passando no final do século para um mundo unipolar. Aparentemente
no início do século XXI o mundo caminha para um mudo multipolar, com maior
flexibilidade de acordos entre as nações dentro de cada bloco.
-O desconforto dentro de um bloco: tensões criadas entre
blocos, além do engessamento criado nos últimos anos, têm causado desconforto
em alguns países cogitam possibilidades de rupturas e autonomia dentro dos seus
blocos.
