Marco Antônio de Morais Alcantara
Vive-se em um mundo hoje cujas contingências extrapolam os limites das fronteiras regionais e nacionais. Fatores regionais e globais trazem consequências comuns que conduzem a formatação da opinião pública, e que irá julgar cada um segundo os filtros que tenham recebido. Estes fatores podem ser citados a seguir.
-Urbanização: o mundo
se tornou em algo generalizado, com fenômenos decorrentes da grande
concentração de pessoas, atividades e competitividade, pelo custo urbano, pela
necessidade de sobrevivência de uns e acumulação de outros.
-As condições atuais de vida: estas se tornaram desafiadoras
pela pluralidade de necessidades e de atividades, pela necessidade de vencer
desafios sucessivos para a construção da carreira.
-A questão da disponibilidade dos postos de trabalho: estes
diminuíram, no sentido de segurança, estabilidade e expectativas de benefícios.
Pelo contrário, a informalidade e a uberização tem aumentado em diversas
atividades. Muitos também têm contratos temporários, sujeitos à renovação sem
que se tenha garantias da continuidade do trabalho.
-Ambiente de trabalho: se por um lado as ofertas de trabalho
não têm sido interessantes para dar acomodação ao trabalhador, os ambientes e
as condições de trabalho também têm sido também hostis, no sentido de
desestruturar a mão de obra de reserva, e ainda, muitas vezes existem outras
profissões criadas recentemente que podem atrair mais mão de obra, e em último
caso, quando surge uma vaga poucos estão preparados para assumir, provocando
também a crise de mão de obra de reserva.
-Aumento da população: a população mundial cresceu
vertiginosamente nas últimas décadas, aumentando a demanda. Por outro lado,
isto afeta os governos, no sentido de manter os serviços públicos e sociais, e
ainda, a faixa média etária tem aumentado em alguns países, implicando-se no
equilíbrio das aposentarias.
-As famílias: as famílias tiveram mudanças no ponto de vista
do perfil básico, em termos das atribuições no lar, e até mesmo quanto as
questões de gênero. O homem não é hoje
obrigatoriamente o provedor do lar; mulheres muitas vezes tem compartilhado
deste papel, ou até mesmo de serem obrigadas a assumir totalmente a
representação e sustento da casa.
-Tecnologias: as novas tecnologias têm colocado em risco a
existência de profissões antigas, da mesma forma que a adaptação à ela é um
processo diferenciado conforme a tecnologia.
-As bigtechs: A apropriação dos meios de produção passou da
indústria para as bigtehs. Isto requer inovação, capacidade de absorção de
conhecimento, e sobretudo, ausência de autonomia de se apropriar do processo
produtivo. É o chamado recente tecnofeudalismo.
-A migração: somado a tudo isso, têm-se os recentes
mecanismos de mobilidade no mundo, com as migrações. Profissionais de países
considerados desenvolvidos migram para outros países que lhe prometam melhores
trabalhos e expectativas de vida. Em contrapartida, migrantes de países menos
desenvolvidos chegam em busca de melhores expectativas de vida.
A questão da mulher
A mulher tem sido um tema relevante na sociedade atualmente
por diversas razões: em primeiro lugar existe a questão da estrutura familiar
vivente desde há milhares de anos, embora algumas elas em alguns pontos do
mundo possam ser diferentes. O patriarcalismo é histórico, e por ele o homem
tem a primazia pelas posições de provedor e sobretudo de autoridade no lar, e a
mulher tem recebido atribuições de subjetividade. Contudo, mediante os fatores
já mencionados anteriormente, a crise do trabalho, a função do homem hoje, com
base nas características do homem, este tem sido substituído por máquinas, se dependendo
da força física, e mulheres podem monitorar empilhadeiras, por exemplo, que podem
movimentar grandes máquinas. Os sistemas de vigilância e segurança tem sido monitorado
por câmaras, e a presença física tem sido menos requeridas.
Soma-se a isso que os salários do chefe da casa muitas vezes
são insuficientes para cobrir a demanda do orçamento doméstico, e nos últimos
anos a mulher tem entrado em linha de frente no mercado de trabalho amparadas
pelas suas competências profissionais adquiridas, e pelas suas realizações
colocadas em currículo. Dentro de muitas profissões recentes existem aquelas
que são mais adequadas as mulheres.
Ainda se considera os fatos de que nos últimos anos as mulheres
têm tido o protagonismo de se associarem entre elas, formando grupos de
interesse que envolvem suas condições e contingências particulares, de modo a
adquirirem direitos. Somado à liberdade da mulher, que cria novas configurações
no lar, no trabalho, na rua, alguns da categoria masculina tem feito apelo à
antigas estruturas do patriarcalismo, tem procurado fortalecer a intitulada “machosfera”.
Tem procurado eventos que lhe fortaleçam o papel tradicional masculino, e
militado em oposição à chamada revolução das mulheres e do enfraquecimento do
poder masculino.
Até mesmo entre as mulheres tem tido um pensamento dividido,
onde algumas se colocam como defensoras dos interesses da mulher, e outras,
chamadas de “feministas”, e outras em papel oposto ao das feministas,
preservando a ordem existente. A mulher ainda está sujeita à questões de
assédio, violência, tanto no ambiente externo como no lar, e a maneira de lidar
sobre isso tem sido repartida entre o que diz a tradição e à ética.
Migração:
Nos últimos anos grandes acontecimentos afetaram a
geopolítica mundial. Muitos saem de países em conflitos sociais, políticos ou
de guerra e buscam refúgio em países que tem relações com aquele país, ou que
os aceitam mediante relações de organismos internacionais, e ainda, ocorrem as
invasões, entrada ilegal, sem falar das entradas legais mediante vistos de
trabalho, aumentando a população local; muitas vezes os migrantes tem cultura,
língua e crença religiosa diferente, causando choques culturais quanto à
algumas práticas, assim como, surge um sotaque estranho. Além disso, muitos
reclamam da crise de desemprego, culpando os migrantes por ocuparem os empregos
locais, e ainda, sobrecarregam os serviços sociais. Na maioria dos casos as
populações locais apresentam menor taxa de nascimentos, enquanto no geral a população
local apresenta maior taxa de fecundidade. Surge um povo que passa a competir
internamente pelos meios de sobrevivência e de representatividade. Na
competição, surgem reações indesejáveis ligadas à discriminação, racismo e xenofobia. O fenômeno da xenofobia e de afirmação da identidade regional têm sidos manifestados também aqui no Brasil, diante de migrações regionais.
Configuração
familiar:
As famílias têm mudado o perfil conforme já citado. A forma
de clã tem se descaracterizado como forma representativa de uma família. Muitos
filhos se emancipam cedo, ganhando independência. Aquele modelo do almoço de
domingo com churrasco, ou frango com macarronada tem sido muito diminuído. Como dito, muitas famílias são dirigidas por
mulheres, por razões diversas, e isso tem gerado polêmicas no desenho da família.
Gestão pública e
empresas privadas:
Com o aumento da população os setores públicos têm sido
onerados, na questão da saúde, na qualidade da educação, e sobretudo com
relação às aposentadorias; cabe considerar que o número de contribuintes por
aposentados diminuiu drasticamente nos últimos anos, em razão do aumento no
tempo de vida dos aposentados, e das novas configurações do trabalho, dispensando
pagamentos em fundos sociais, uberização, “empreendedorismo”, e desta forma a
arrecadação vem a diminuir muito. Se
discute muito em termos de direitos e serviços a todos, e eficiência. Desta
forma ocorre uma divisão entre o serviço público e o privado.
