sábado, 31 de janeiro de 2026

Temas controversos do mundo atual

 



Marco Antônio de Morais Alcantara 

Vive-se em um mundo hoje cujas contingências extrapolam os limites das fronteiras regionais e nacionais. Fatores regionais e globais trazem consequências comuns que conduzem a formatação da opinião pública, e que irá julgar cada um segundo os filtros que tenham recebido. Estes fatores podem ser citados a seguir.

-Urbanização:  o mundo se tornou em algo generalizado, com fenômenos decorrentes da grande concentração de pessoas, atividades e competitividade, pelo custo urbano, pela necessidade de sobrevivência de uns e acumulação de outros.

-As condições atuais de vida: estas se tornaram desafiadoras pela pluralidade de necessidades e de atividades, pela necessidade de vencer desafios sucessivos para a construção da carreira.

-A questão da disponibilidade dos postos de trabalho: estes diminuíram, no sentido de segurança, estabilidade e expectativas de benefícios. Pelo contrário, a informalidade e a uberização tem aumentado em diversas atividades. Muitos também têm contratos temporários, sujeitos à renovação sem que se tenha garantias da continuidade do trabalho.

-Ambiente de trabalho: se por um lado as ofertas de trabalho não têm sido interessantes para dar acomodação ao trabalhador, os ambientes e as condições de trabalho também têm sido também hostis, no sentido de desestruturar a mão de obra de reserva, e ainda, muitas vezes existem outras profissões criadas recentemente que podem atrair mais mão de obra, e em último caso, quando surge uma vaga poucos estão preparados para assumir, provocando também a crise de mão de obra de reserva.

-Aumento da população: a população mundial cresceu vertiginosamente nas últimas décadas, aumentando a demanda. Por outro lado, isto afeta os governos, no sentido de manter os serviços públicos e sociais, e ainda, a faixa média etária tem aumentado em alguns países, implicando-se no equilíbrio das aposentarias.

-As famílias: as famílias tiveram mudanças no ponto de vista do perfil básico, em termos das atribuições no lar, e até mesmo quanto as questões de gênero.  O homem não é hoje obrigatoriamente o provedor do lar; mulheres muitas vezes tem compartilhado deste papel, ou até mesmo de serem obrigadas a assumir totalmente a representação e sustento da casa.

-Tecnologias: as novas tecnologias têm colocado em risco a existência de profissões antigas, da mesma forma que a adaptação à ela é um processo diferenciado conforme a tecnologia.

-As bigtechs: A apropriação dos meios de produção passou da indústria para as bigtehs. Isto requer inovação, capacidade de absorção de conhecimento, e sobretudo, ausência de autonomia de se apropriar do processo produtivo. É o chamado recente tecnofeudalismo.

-A migração: somado a tudo isso, têm-se os recentes mecanismos de mobilidade no mundo, com as migrações. Profissionais de países considerados desenvolvidos migram para outros países que lhe prometam melhores trabalhos e expectativas de vida. Em contrapartida, migrantes de países menos desenvolvidos chegam em busca de melhores expectativas de vida.

 Somados a esses contextos, se pode levar em considerações outros temas ligados a esses:

 

A questão da mulher

A mulher tem sido um tema relevante na sociedade atualmente por diversas razões: em primeiro lugar existe a questão da estrutura familiar vivente desde há milhares de anos, embora algumas elas em alguns pontos do mundo possam ser diferentes. O patriarcalismo é histórico, e por ele o homem tem a primazia pelas posições de provedor e sobretudo de autoridade no lar, e a mulher tem recebido atribuições de subjetividade. Contudo, mediante os fatores já mencionados anteriormente, a crise do trabalho, a função do homem hoje, com base nas características do homem, este tem sido substituído por máquinas, se dependendo da força física, e mulheres podem monitorar empilhadeiras, por exemplo, que podem movimentar grandes máquinas. Os sistemas de vigilância e segurança tem sido monitorado por câmaras, e a presença física tem sido menos requeridas.

Soma-se a isso que os salários do chefe da casa muitas vezes são insuficientes para cobrir a demanda do orçamento doméstico, e nos últimos anos a mulher tem entrado em linha de frente no mercado de trabalho amparadas pelas suas competências profissionais adquiridas, e pelas suas realizações colocadas em currículo. Dentro de muitas profissões recentes existem aquelas que são mais adequadas as mulheres.

Ainda se considera os fatos de que nos últimos anos as mulheres têm tido o protagonismo de se associarem entre elas, formando grupos de interesse que envolvem suas condições e contingências particulares, de modo a adquirirem direitos. Somado à liberdade da mulher, que cria novas configurações no lar, no trabalho, na rua, alguns da categoria masculina tem feito apelo à antigas estruturas do patriarcalismo, tem procurado fortalecer a intitulada “machosfera”. Tem procurado eventos que lhe fortaleçam o papel tradicional masculino, e militado em oposição à chamada revolução das mulheres e do enfraquecimento do poder masculino.   

Até mesmo entre as mulheres tem tido um pensamento dividido, onde algumas se colocam como defensoras dos interesses da mulher, e outras, chamadas de “feministas”, e outras em papel oposto ao das feministas, preservando a ordem existente. A mulher ainda está sujeita à questões de assédio, violência, tanto no ambiente externo como no lar, e a maneira de lidar sobre isso tem sido repartida entre o que diz a tradição e à ética.

 

Migração:

Nos últimos anos grandes acontecimentos afetaram a geopolítica mundial. Muitos saem de países em conflitos sociais, políticos ou de guerra e buscam refúgio em países que tem relações com aquele país, ou que os aceitam mediante relações de organismos internacionais, e ainda, ocorrem as invasões, entrada ilegal, sem falar das entradas legais mediante vistos de trabalho, aumentando a população local; muitas vezes os migrantes tem cultura, língua e crença religiosa diferente, causando choques culturais quanto à algumas práticas, assim como, surge um sotaque estranho. Além disso, muitos reclamam da crise de desemprego, culpando os migrantes por ocuparem os empregos locais, e ainda, sobrecarregam os serviços sociais. Na maioria dos casos as populações locais apresentam menor taxa de nascimentos, enquanto no geral a população local apresenta maior taxa de fecundidade. Surge um povo que passa a competir internamente pelos meios de sobrevivência e de representatividade. Na competição, surgem reações indesejáveis ligadas à discriminação, racismo e xenofobia. O fenômeno da xenofobia e de afirmação da identidade regional têm sidos manifestados também aqui no Brasil, diante de migrações regionais.     

 

Configuração familiar:

As famílias têm mudado o perfil conforme já citado. A forma de clã tem se descaracterizado como forma representativa de uma família. Muitos filhos se emancipam cedo, ganhando independência. Aquele modelo do almoço de domingo com churrasco, ou frango com macarronada tem sido muito diminuído.  Como dito, muitas famílias são dirigidas por mulheres, por razões diversas, e isso tem gerado polêmicas no desenho da família.

 

Gestão pública e empresas privadas:

Com o aumento da população os setores públicos têm sido onerados, na questão da saúde, na qualidade da educação, e sobretudo com relação às aposentadorias; cabe considerar que o número de contribuintes por aposentados diminuiu drasticamente nos últimos anos, em razão do aumento no tempo de vida dos aposentados, e das novas configurações do trabalho, dispensando pagamentos em fundos sociais, uberização, “empreendedorismo”, e desta forma a arrecadação vem a diminuir muito.  Se discute muito em termos de direitos e serviços a todos, e eficiência. Desta forma ocorre uma divisão entre o serviço público e o privado.