sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Pavimentos urbanos: Desempenho requerido, tolerâncias e os sistemas adequados

 

Fonte: Editado em Google Gemini
Marco Antônio de Morais Alcantara

Os pavimentos urbanos consistem em infraestrutura viária integrante para a circulação de pessoas e de mercadorias, tendo algumas funções, mas são compreendidos de modo geral pela camada de rolamento dos veículos. De modo geral, ele é parte do sistema viário, o qual deve também desempenhar outras funções a capacidade de estabelecer conexões, e com maior eficiência, com a maior capacidade viária e o menor consumo de energia, e isto alcançada com as melhores condições físicas e menor ausência de conflitos.

O sistema viário está sujeito ao contexto que está a sua volta, tais como as áreas de ocupação, as características destas áreas, do entorno, e cumprindo o seu papel particular dentro da hierarquia viária, assim como ele tem relação com as infraestruturas que lhe são adjacentes, como passeios, residências, arborização e outros elementos construídos que cumprem função. Desta forma, temos diferentes padrões de vias como as vias de uso local, vias coletoras, vias arteriais, ou ainda vias expressas, as quais requerem condições particulares de operação. Podemos distinguir ainda as vias segregadas exclusivas para ônibus, os corredores de tráfego e os anéis viários. Estas implicam em diferentes níveis de velocidade, fluxo requerido, e mesmo interrupções.

Além de cumprir com a função do rolamento, o sistema viário pode estar associado a outros sistemas, como o de drenagem urbana, e nesse sentido ele pode contribuir como o disciplinador das águas, concebido para colaborar no escoamento das águas pluviais, e ainda de impedir o processo de erosão superficial. O sistema viário também contribui para a redução do pó onde ele está presente.

Cumpre falar que esta infraestrutura está condicionada às condições locais da implantação, tais como as condições oferecidas pelo solo como subleito, declividade, aos materiais de construção disponíveis na região, e ainda às condições locais do ponto de vista técnico para a execução.

Ainda, o sistema viário interage com o sistema físico onde ele é implantado, podendo ter algum protagonismo sob alguns aspectos, como o da infiltração d’água. Se por um lado a urbanização tende a impermeabilizar o solo, o pavimento pode exercer um papel importante de reduzir este efeito, como nos casos dos pavimentos permeáveis, utilizados em áreas de estacionamentos ou de vias de baixo tráfego. Para isso se distinguem os concretos permeáveis, os pavimentos articulados de concreto ou de pedras naturais.

O sistema viário pode influenciar na formação de ilhas de calor. Este processo pode ser também influenciado por outros fatores tais como o tipo de materiais utilizados nas construções, a presença de arborização e o projeto urbano local.

E como dito, o sistema viário está sujeito à interações com a sua base de interação, e desta forma podem surgir interações resultando em deformações elásticas ou plásticas, resultando em ondulações do pavimento, e prejudicando as condições favoráveis para rolamento, Os materiais de construção podem ter papel relevante neste processo, com a permissão de aberturas e facilidades para outros processos, como a infiltração, d’água, facilitando a degradação da base do pavimento.

Considera-se então relevante discutir os pavimentos asfálticos e os pavimentos de concreto, sendo um tema muito importante nos dias atuais.

Os pavimentos asfálticos são facilmente executados, tanto por empresas públicas como por empreiteiras contratadas. Estas dependem basicamente do preparo do subleito, compossível reforço, compactação na energia de projeto, e impermeabilização, seguindo-se do tratamento superficial triplo ou duplo e a execução da camada de revestimento. A escolha da base pode ser feita também com outros materiais, como o solo-brita, a brita graduada, o solo-cimento ou o solo-cal. Em havendo excelentes condições de solo como subleito pode se executar soluções alternativas somente para tráfego leve, como em caso de tratamento primário sobre o leito viário e execução do revestimento.

O pavimento asfáltico está sujeito à degradações tais como nos casos de fissuras, trincas localizadas, trincas de rodas, ondulações e dissolução diante da presença de óleos. A isso estão relacionados os fatores de envelhecimento, decorrente da perda de componentes voláteis do asfalto, e resultando em perda da elasticidade, ganho de rigidez e fragilidade, e ainda se pode considerar a dosagem, em termos de material betuminoso e de finos, gerando a retração interna do material, e tudo isso conduz à infiltração e a degradação da base.

Por ser um material de origem orgânica, o asfalto está sujeito à dissolução por solvente compatível de mesma natureza, como é o caso dos óleos e dos combustíveis derramados pelos veículos. Ainda pode ser ressaltada a sensibilidade à temperatura do asfalto, provocando a deformação e a fluência quando aquecidos, ou a fragilidade no tempo frio.

Em decorrência destas contingências o pavimento asfáltico está sujeito à manutenção periódica mais frequente, aproximadamente a cada 5 ou 6 anos, requerendo muitas vezes a revitalização da capa de revestimento, a operação de tapa-buracos, ou em casos extremos a recomposição total do trecho danificado. Estas atividades muitas vezes apresentam desempenho temporário ou insatisfatórios, por serem executados com materiais inadequados, por más condições de execução, resultando no descolamento da capa do trecho executado, ou ondulações, resultantes das incompatibilidades de elasticidade do trecho e do reforço.

Os pavimentos de concreto, por sua vez, são pavimentos rígidos fabricados com base na tecnologia do concreto. Estes podem ser compostos por placas de concreto, sendo armados, exibindo juntas para dilatação. O concreto é otimizado de modo a poder maximizar a sua resistência mecânica, tais como 35MPa para tráfego médio urbano e 5MPa para casos de corredores de tráfego, e ainda de se controlar as suas permeabilidades e absorção d’água, e como isso, favorecendo a durabilidade. Considera-se o tempo de 50 anos para tanto.

O pavimento de concreto pode também ser executado com o concreto compactado com o rolo.

Tendo feita a descrição deste tipo de material, pode-se falar dos pontos que defendem este tipo de solução:

-Menor resistência ao rolamento: Isto pode-se dar em decorrência da menor ondulação no pavimento, e que se opõe ao rolamento de veículos.

-Menor consumo de combustível e de energia de modo global, e com menor emissão de poluentes, em decorrência da menor resistência ao rolamento.

-Maior capacidade viária: Isto em decorrência da melhor condição de rolamento, que favorece a fluidez do tráfego.

-Maior durabilidade e ocorrências menos frequentes de manutenção. A isto implica a menor necessidade de se interromper o tráfego.

Ainda, os defendem o uso de pavimentos de concreto consideram que:

-São diminuídas as ilhas de calor com esta solução.

-São mais eficientes quanto à sinalização.

Pelas razões expostas, compreende-se que os pavimentos de concreto são os recomendados para os casos de corredores de tráfego envolvendo ônibus e caminhões, os quais apresentam maior inércia, e maior oposição ao rolamento, vias expressas exclusivas para ônibus, anéis viários, praças de pedágio em rodovias, onde envolve a interrupção do fluxo.

Somado o tudo isto, considera-se o caso da sinalização viária e da comunicação, tornando mais eficientes os sistemas de iluminação.

Já os pavimentos asfálticos podem sofrer maior tolerância em razão do contexto onde eles são aplicados. Por exemplo, em vias de uso local, residenciais, onde a velocidade é baixa, os veículos são leves, e o fluxo é pequeno, e ainda se pode tirar partido da urbanização, tais como os passeios, que podem ser mais largos, e dotados de vegetação e gramados, o índice de ocupação dos terrenos pode não ser elevado, proporcionando a melhor infiltração da águia de precipitações, e mitigando as ilhas de calor.

As manutenções nestes casos são menos frequentes, e não se compromete por muito tempo a operação das vias.

Considerando as duas tecnologias, pode-se tomar em consideração de que o pavimento asfáltico oferece tecnologia mais difundida, tanto por operadores de prefeituras como de operadoras terceirizadas, assim como o parque de equipamentos é mais disponível para a execução, enquanto que, para os casos de pavimentos de concreto, os recursos técnicos estão presentes preferencialmente nos centros urbanos maiores, em termos de capacitação técnica e de meios de execução. A isto, se considera ainda a disponibilidade e o conhecimento das normas técnicas nos centros de menor porte.

Neste sentido, compreende-se que os pavimentos de concretos são os mais indicados em casos de corredores especiais, como todos os apresentados aqui, e mais sujeitos às contingências geradas pelo fluxo e que possam comprometer a trafegabilidade e a operação, enquanto que os pavimentos asfálticos são implantados onde as contingências não comprometam as operações.